Mundo Agrario, vol. 16, nº 33, diciembre 2015. ISSN 1515-5994
Universidad Nacional de La Plata. Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación.
Centro de Historia Argentina y Americana

 

ARTICULO/ARTICLE

 

Os jovens agricultores familiares e a reprodução geracional na agricultura familiar: estudo de caso dos jovens residentes no município de Faxinal do Soturno – Brasil

 

Lucas Coradini

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul
lucas.coradini@viamao.ifrs.edu.br
Brasil

 

Cita sugerida: Coradini, L. (2015). Os jovens agricultores familiares e a reprodução geracional na agricultura familiar: estudo de caso dos jovens residentes no município de Faxinal do Soturno – Brasil. Mundo Agrario, 16(33). Recuperado a partir de http://www.mundoagrario.unlp.edu.ar/article/view/MAv16n33a03

 

Resumo
Neste estudo examina-se como são elaborados os projetos profissionais das novas gerações de agricultores familiares e a perspectiva de reprodução do modo de produção familiar. A tarefa sociológica proposta é a de apontar os traços distintivos da situação juvenil na agricultura familiar, buscando identificar os elementos considerados na elaboração de seus projetos profissionais. Para isso, opta-se pela produção de dados qualitativos, o que é feito a partir do estudo de caso dos jovens agricultores residentes na cidade de Faxinal do Soturno, município pertencente à Quarta Colônia de imigração italiana do Rio Grande do Sul. Procedeu-se à realização de 36 entrevistas constituídas de questões abertas, seguindo um roteiro semi-estruturado, que foram examinadas através do método da análise de conteúdo. Entre os resultados, vislumbra-se um quadro marcado por projetos profissionais que rompem com a lógica da reprodução do trabalho agrícola familiar. Destacam-se avaliações negativas sobre o trabalho agrícola, sobretudo em questões relacionadas à saúde, salubridade do trabalho e condições de envelhecimento no meio rural. Questões familiares, afetivas, e aspectos específicos da condição juvenil, marcada pela busca de autonomia e emancipação, permeiam os projetos profissionais em elaboração e ampliam os fatores explicativos do fluxo migratório juvenil.

Palavras-chaves: Agricultura familiar; Projetos profissionais; Reprodução social; Sucessão geracional.

 

Young farmers and generational reproduction in family farming: a case study of young people residing in the municipality of Faxinal Soturno - Brazil

 

Abstract
This study examines how the youth’s Professional projects in new generation of family farmers are prepared and the perspective of reproduction of the familiar mode of production. The sociological task is to specify the distinctive features of the situation of the youth in family farming, seeking to identify the elements considered in the preparation of their professional projects. Qualitative data were produced by a case study of young farmers who lives in the city of Faxinal do Soturno, a municipality belonging to the fourth colony of Italian immigration in Rio Grande do Sul/Brazil. We performed 36 interviews, consisting of open questions, adopting a semi-structured script, wich were examined by de method of content analysis. Among the results, were observed a context marked by professional projects that breaks with the succession of the family farm work. The negative ratings on agricultural work stand out, particularly on issues related to health, salubrity of work and conditions of aging in rural areas. Family and emotional issues, and also specific aspects of the juvenile condition, marked by the pursuit of autonomy and emancipation, permeate the professional projects in development and show a complex analytical framework, wich amplify the explanatory factors of migration of youth.

Keywords: Family agriculture; Professional projects; Social reproduction; Generational succession.

 

1. Introdução

A reprodução social na agricultura familiar depende da sucessão por um dos herdeiros da família, que, desde a infância, são socializados no trabalho agropecuário e inseridos numa divisão familiar do trabalho. Esta lógica de reprodução encontra-se ameaçada à medida que os jovens agricultores familiares formulam projetos profissionais e de vida que rompem com a continuidade na atividade agrícola (Camarano; Abramovay, 1999). Dizemos então que há uma crise na sucessão hereditária da agricultura familiar.

Na juventude, expressam-se os conflitos e tensões sobre a manutenção de determinado modo de vida, negando ou reafirmando a tradição cultural que lhe foi transmitida através do processo de socialização. O futuro da agricultura familiar passa pela visão que as jovens têm sobre seu próprio futuro, a partir das avaliações e representações que elaboram sobre o universo rural e urbano e sobre o trabalho agrícola e não agrícola.

Este estudo objetiva compreender a situação dos jovens no contexto rural, especialmente em relação a sua socialização, inserção no trabalho agrícola familiar e nas relações sociais que desenvolvem em suas comunidades. Ao analisar as representações que os jovens formulam sobre a realidade que vivenciam, dão-se as bases para o entendimento de seus projetos profissionais e, por conseqüência, passamos a elucidar os determinantes da migração juvenil do meio rural. A tarefa sociológica proposta é a de apontar os traços distintivos da situação juvenil na agricultura familiar a partir dos elementos considerados na elaboração de seus projetos profissionais. Preocupamo-nos em analisar como estes sujeitos percebem a condição de jovem, trazendo à discussão suas avaliações e seus esquemas de percepção da realidade para, a partir destes elementos, discutirmos as perspectivas de reprodução da agricultura familiar.

As análises empreendidas neste estudo foram possibilitadas a partir da produção de dados qualitativos que aprofundam questões suscitadas no debate acadêmico emergente, o que é feito a partir de um estudo do caso dos jovens agricultores residentes em Faxinal do Soturno, município pertencente à Quarta Colônia de imigração italiana do Rio Grande do Sul.

A escolha de Faxinal do Soturno justifica-se por representar uma área tipicamente caracterizada pela produção agropecuária do tipo familiar e possuir índices sócio-econômicos próximos à média das demais regiões do Estado (PIB, PIB per capita e IDH). Além disso, conforme se pode verificar no quadro abaixo, o município de Faxinal do Soturno caracteriza-se também como uma das localidades em que houve um significativo decréscimo populacional nas últimas décadas:

GRÁFICO I

População de Faxinal do Soturno 1991 – 2010

Fonte: IBGE, Censo Demográficos de 1991, 2000 e 2010.

Esse decréscimo populacional ocorreu de forma mais acentua na zona rural do município. De acordo com o Censo Demográfico de 2000, vivia no perímetro rural de Faxinal do Soturno 40,1% do total de sua população (ou 2.744 pessoas), índice que no Censo de 2010 reduziu para 37,4% dos habitantes (ou 2.497 pessoas). Do total de habitantes, percebe-se entre os censos de 1991 e 2010 uma redução de 9.081 para 6.672 habitantes, o que representa uma diminuição de 26,5% de sua população.

A realização das entrevistas ocorreu de forma aleatória e por indicação, buscando o contato com os jovens em seus espaços de convívio, como a escola, a igreja, a praça, os eventos culturais locais, e em suas próprias residências. Dessa forma, permite-se apreender, além de inferências produzidas através das entrevistas, dados relacionados à interação dos sujeitos observados no seu meio. Consonante, as entrevistas caracterizaram-se pela flexibilidade e pela fraca diretividade do roteiro, permitindo recolher testemunhos dos interlocutores com significativa liberdade.

Foram realizadas 31 entrevistas baseadas em roteiro semi-estruturado e com perguntas abertas, direcionadas a jovens agricultores cujas idades variam entre 14 e 25 anos. Além das entrevistas, no período de coleta dos dados foi produzido um diário de campo com informações obtidas a partir da observação, o que detalha aspectos complementares à análise. As entrevistas foram examinadas através do método da análise de conteúdo.

Embora a maior parte das análises clássicas de conteúdo culmina em descrições numéricas de algumas características do corpo do texto, a atenção maior é dada aos “tipos”, “qualidades” e “distinções” presentes nas falas. Em suas primeiras utilizações, a análise de conteúdo assemelha-se muito ao processo de categorização e tabulação de respostas a questões abertas, o que é feito também, mas vai além ao analisar o sentido subjacente ao conteúdo manifesto.

É importante ressaltar que a análise sobre as perspectivas de reprodução da agricultura familiar é aqui realizada a partir das falas dos próprios sujeitos envolvidos. Partimos do princípio que todos os seres humanos são agentes cognoscitivos e possuem considerável conhecimento das condições e conseqüências do que fazem em suas vidas cotidianas. O sociólogo tem como campo de estudo fenômenos que já são constituídos como significativos por estes indivíduos, e a condição de entrada nesse campo é travar conhecimento com o que os atores já sabem, e têm que saber para prosseguir nas atividades cotidianas da vida social (Giddens, 1989).

2. O jovem agricultor na contemporaneidade: quebrando estereótipos

Traçar o perfil do jovem agricultor familiar não é tarefa simples. Não há mais espaços para os clichês comportamentais do “ser colono” ou “ser da cidade”. A dualidade entre o tradicional e o moderno, entre a cultura transmitida através das gerações de colonizadores e a cultura global – tão acessível através dos meios de comunicação de massa – se fazem presentes no cotidiano das novas gerações dos agricultores familiares como um todo. Se há pouco tempo o meio rural era marcado pelo atraso e distanciamento das tecnologias, essa realidade, hoje, não pode ser generalizada.

A pesquisa de campo revelou grande proximidade dos jovens agricultores com as tecnologias da atualidade ao passo que consomem itens como telefones celulares, videogames, notebooks, smartphones, entre outros. O domínio das tecnologias da comunicação verificou-se também a partir da utilização de sites de relacionamento, ou redes sociais virtuais, que se constatou amplamente difundido entre os entrevistados (Facebook, Twiter, MSN, Whatsapp). Estas redes, por vezes, aproximam indivíduos que antes eram distanciados por questões geográficas, inerentes às próprias características do espaço rural. O uso da informática apresenta-se também associado à realização de trabalhos escolares, acesso a filmes, músicas e jogos.

Percebe-se que há uma interação mais rápida com os produtos culturais do meio urbano, o que leva também à assimilação de modas e tendências em tempo real. Em outras palavras, as distâncias se encurtam. Da mesma forma, produtos culturais do meio rural também são oferecidos ao mercado cultural urbano, que passam a valorizar aspectos relativos ao modo de vida mais próxima à natureza, ao ecologismo, à alimentação saudável (produtos orgânicos) e a um estilo de vida que se contrapõe ao vivenciado nos grandes centros, o que tem propiciado o desenvolvimento do turismo rural em certa medida. Nesse sentido falamos no jovem agricultor “conectado” ou “globalizado”, caracterizando-o como indivíduo que tem acesso a qualquer informação disponível no meio urbano, que se apropria dos produtos culturais que lhe convém e que é também fornecedor de valores e produtos culturais.

3. A preocupação com a escolarização

Um dos dados que merece ser destacado a respeito dos projetos dos jovens agricultores é que a quase totalidade dos entrevistados está estudando e pretende fazer curso superior. Evidentemente a faixa etária selecionada se constitui predominantemente por indivíduos em idade escolar, porém surpreende tanto pela não evasão escolar, comum entre trabalhadores rurais, quanto pela ambição de continuidade na formação educacional.

Em Faxinal do Soturno há uma significativa estrutura de universidades que se colocam à disposição dos jovens agricultores, tendo em vista a proximidade ao Município de Santa Maria (cerca de 40Km), considerado um centro educacional na região. Entre as carreiras almejadas, destacam-se as direcionadas para a área da saúde: medicina, enfermagem, educação física, fisioterapia e psicologia são as mais citadas. Fazem-se presentes ainda nos projetos educacionais destes jovens as carreiras ligadas às áreas das engenharias, ciências biológicas, jornalismo, advocacia e docência.

Quando os jovens foram indagados sobre a intenção de continuidade dos estudos (o projeto educacional), intrinsecamente veio à tona o projeto profissional almejado, já que o investimento educacional é parte do próprio processo de escolha profissional. Neste sentido, a argumentação sobre o projeto educacional revelou, para a maior parte dos entrevistados, a recusa em permanecer na atividade agrícola. Há uma nítida preferência por profissões cujos conhecimentos se distanciam dos necessários para a manutenção da atividade na unidade produtiva familiar, ao passo que cursos técnicos agrícolas, de agronomia ou veterinária, não são cogitados entre as escolhas educacionais.

De um modo geral, parece haver um antagonismo entre o investimento educacional e o desenvolvimento da atividade agrícola, como se a segunda não necessitasse da primeira, ou como se existisse grande distância entre ambas. As escolas que recebem os filhos dos agricultores familiares, na opinião destes, parecem não estar em sintonia com o seu público. A contextualização dos conteúdos e a correta transposição didática para a realidade das famílias de agricultores familiares parecem ser determinantes para que o investimento educacional não implique necessariamente no investimento em uma formação escolar voltada para o mercado de trabalho não agrícola.

4. O lazer acessado e o lazer desejado

Uma reclamação recorrente entre os entrevistados é em relação às limitadas alternativas de lazer. Num primeiro momento, parece que não há nada de divertido que um jovem possa fazer se ele “morar pra fora”. Quando se pergunta um aspecto negativo de morar no meio rural a um jovem agricultor, este será um dos argumentos: “não tem nada de bom para o jovem fazer aqui”.

Aqui não tem muita coisa para fazer como na cidade, mas dá pra se divertir, tem festas, tem bailes. Eu tenho muitos amigos por aqui. Teve reunião dançante esses dias, mas é difícil dos guris dançarem, eles tem vergonha. É meio chato ir nessas festas porque tu só encontra quem tu já conhece. Mas a gente sai também, eu e meus irmãos, já fomos uma vez na Oktoberfest em Santa Cruz, numa viagem do grupo de jovens (referindo-se ao grupo de jovens da igreja).(...) Mas no dia-a-dia mesmo mais é ouvir música em casa, não tem muita coisa. (C. J., sexo feminino, 17 anos)

Aqui é muito abandonado, os jovens daqui não saem muito, só ‘quando troca o papa’. Os guris são mais tímidos. Quem sai pra estudar se solta mais. Os que ficam vão para as festas para ficar sentados vendo os outros se divertindo. A arquibancada é deles! (referência às festas realizadas no ginásio de esportes da comunidade, em que a quadra é ocupada pelas pessoas que dançam enquanto nas arquibancadas ficavam os rapazes mais tímidos, observando os demais). (B. F., sexo feminino, 16 anos)

De fato, no Município de Faxinal do Soturno há poucos atrativos de entretenimento, como em qualquer município do mesmo porte. Não há estrutura de cinemas, parques, teatros, tampouco uma agenda de exposições e atividades culturais. Da mesma forma, o número de clubes, casas noturnas, bares e restaurantes é proporcional ao potencial de frequentadores.

Ao analisar de forma mais aprofundada as avaliações femininas sobre o lazer acessado, entretanto, percebemos que há uma oferta significativa de atividades de lazer e festas nas comunidades rurais. Mesmo que a estrutura de entretenimento não seja sofisticada, a jovem que a todo final de semana quiser sair para uma festa terá uma opção ao seu dispor. Instigando os entrevistados sobre esta questão, percebemos que o que mais as incomoda não é a ausência de atividades de lazer, mas as limitações das próprias redes de sociabilidade.

Os discursos deixam transparecer que uma boa festa, ou um bom evento cultural, é um evento que atrai pessoas “de fora”, pessoas diferentes, se possível, de outras cidades. Há uma necessidade de ver e interagir com outros indivíduos, de expandir a rede de relações. O que está por trás do discurso da falta de lazer, na verdade, é a monotonia de encontrar-se sempre com as mesmas pessoas, de ir a algum lugar e encontrar as moças e rapazes com quem convive há anos na escola, na igreja, no time de futebol, na vizinhança, etc.

Da mesma forma, ir para as festas nas outras cidades também é um imperativo. É nesta oportunidade que o jovem poderá fugir do controle imposto pela família e pela própria comunidade. Os laços de vizinhança e parentesco muito próximos não fazem das festas comunitárias um ambiente propício para os namoros e paqueras típicos da faixa etária analisada. Por vezes é constrangedor para uma jovem agricultora manifestar-se de forma autêntica em uma situação de interação social, pois há um grande risco de ser inibida pela rígida estrutura moral presente. Esta constatação pode ser ilustrada nas falas que seguem:

A mãe deixa a gente ir nas festas, mas o pai é mais quieto. Tem que se cuidar, quando a gente está numa festa ele não deixa a gente sair para fora do salão porque os outros ficam falando, mas a gente sai igual. (L. S., sexo feminino, 16 anos).

Na fala acima, “sair para fora do salão” implica no risco da moça estar com algum rapaz no lado de fora do ginásio de esportes. Assim funciona a interação entre os jovens nas festas promovidas pelas comunidades: geralmente rapazes e moças ficam separados, em lugares distintos, e algum amigo ou amiga serve de mensageiro, ou “pombo-correio” para recados amorosos, com o objetivo de providenciar o encontro dos interessados do lado de fora do salão. Lá eles poderão conversar distantes da vistas dos pais e irmãos, que geralmente estão presentes nestas festas.

5. A questão familiar e religiosa

Como vimos, as limitações nas alternativas de lazer e o controle social presenciada nos espaços de sociabilidade produzem efeitos nas relações afetivas dos jovens e, por consequência, no potencial de surgimento de relacionamentos conjugais. A primeira barreira surge nos próprios núcleos familiares, onde a preocupação com a “imagem dos filhos” ou a “reputação da família” restringe a liberdade de relacionamento. Já que não há muitas opções matrimoniais - pelo reduzido número de jovens e devido ao envelhecimento e masculinização das comunidades rurais (Camarano & Abramovay, 1997) - os pais recomendam aos filhos que se “preservem” de relacionamentos esporádicos até que se materialize uma “proposta séria”, ou seja, um namoro que potencialmente leve à união conjugal. Namorar várias pessoas pode ser mal visto, na palavra dos entrevistados, diz-se que “a pessoa fica falada”, podendo ter dificuldades em relacionamentos futuros.

A questão da reputação e da imagem é muito importante para as famílias da Quarta Colônia, uma vez que todos se conhecem e se reconhecem pelo sobrenome, “os Bevilaqua”, “os Mainardi”, “os Prevedello”, “os Balsan”. São famílias que convivem entre si há gerações, desde a chegada dos primeiros imigrantes. E ainda hoje – inclusive entre os jovens – a questão familiar se coloca como algo importante na vida em comunidade.

Percebe-se que a família e a religião são duas instituições muito presentes na organização social dos municípios da Quarta Colônia de imigração italiana. A religião católica esteve inserida em segmentos importantes da vida social camponesa uma vez que a educação estava concentrada em escolas católicas e o clero era imbuído de significativa autoridade e poder. Por vezes, a própria ordem em vigor era resultado do sistema moral determinado pela igreja, o que certamente produziu efeitos sobre os estilos de vida dos agricultores.

Embora as heranças culturais da moral católica sejam muito presentes, já não apresentam o mesmo vigor entre as novas gerações. A efemeridade das relações afetivas, a liberdade de escolha e mudança, típicas da modernidade, em alguma medida confrontam-se com os preceitos da velha moral, o que em algumas famílias pode levar a um “choque de gerações”. O diálogo abaixo transcrito e as demais falas ilustram em parte estas considerações:

Entrevistador: Você costuma sair para se divertir com seus amigos ou para namorar?

Entrevistada: “Eu não saio muito, até por isso eu não tenho namorado. A mãe diz que é pra gente se cuidar porque o meu irmão teve filho antes do casamento e teve que se casar, por isso ela fala sempre pra gente se cuidar”.

Entrevistador: O que significa se cuidar? Utilizar métodos contraceptivos?

“É, também, mas na verdade a mãe não fala muito nisso porque pra ela o sexo é só após o casamento. A minha avó é ministra da Igreja, então eles são muito religiosos. Eu também, por exemplo, se eu for estudar em Santa Maria eu vou continuar indo na Missa, mas as coisas mudaram, hoje em dia ninguém mais espera o casamento. Só que também não dá para ficar de namoro com qualquer um, porque quem namora muito depois acaba não casando com ninguém. Porque é assim, se tu ficar trocando de namorado tu não dá certo com ninguém, e sabe como é cidade pequena, logo tu “fica falada”. (L. C., sexo feminino, 18 anos)

O pai não quer que eu case, ele é muito ciumento. Eu levava meu namorado em casa, mas eles não gostavam, diziam que era muito cedo para eu namorar (entre os 15 e os 17 anos). Ele diz que é pra eu pensar nisso depois que eu estiver na faculdade (...) dormir na casa do namorado ou ele na minha, nem pensar! Nem quando eu tiver morando em Santa Maria eles podem ficar sabendo! (M. B., sexo feminino, 18 anos)

Destas falas, é possível extrair pelo menos duas constatações: que a família exerce certo controle social sobre as jovens agricultoras, inclusive nos próprios espaços de lazer e sociabilidade destinados aos jovens; e que há um desejo de emancipação desses laços familiares, o que se materializa na saída da unidade produtiva familiar. Esta emancipação é desejável também nas relações conjugais que intencionam, uma vez que há pouca disposição em reproduzir o modo de vida das mães, marcado pela subordinação financeira frente ao cônjuge.

6. O trabalho agrícola na visão dos jovens agricultores

Nas avaliações dos jovens sobre o trabalho agrícola é que residem as questões mais emblemáticas do problema da reprodução social do modo de produção familiar. Evidencia-se no caso analisado a predominância de avaliações negativas sobre o trabalho agrícola, que se constituem em argumentos de recusa da agricultura como projeto profissional.

De início, chama atenção a forma como foram obtidas as opiniões sobre as vantagens e as desvantagens do trabalho agrícola. As respostas sobre as vantagens do trabalho agrícola eram mais curtas e mais difíceis de serem elaboradas. As jovens tinham que “pensar mais” para encontrar alguma vantagem e, não raras vezes, a fala sobre a vantagem era seguida da fala sobre a desvantagem, espontaneamente. Os argumentos sobre os aspectos negativos, entretanto, eram apresentados em respostas convictas e mais elaboradas, o que aponta para uma prévia reflexão sobre o tema. Verificou-se nas falas das jovens uma forte associação do trabalho agrícola a questões pejorativas, como insalubridade, as baixas compensações financeiras e a instabilidade gerada pelas variações climáticas.

Em relação à insalubridade do trabalho as expressões mais recorrentes foram “trabalho pesado”, “trabalho duro” e “trabalho sofrido”. As condições de trabalho são tidas como ruins, tanto pela necessidade de grande esforço físico, quanto pela exposição a fatores climáticos: calor, insolação, chuvas, frio ou umidade. Em muitas propriedades da região as características topográficas não permitem a utilização de máquinas e tratores, o que torna o trabalho desenvolvido bastante intensivo e manual.

Questões relativas ao retorno financeiro com a atividade agrícola aparecem logo em seguida, através de expressões “muito trabalho pra pouco retorno”, “não dá lucro”, “só dá prejuízo”, ou “os produtos não tem preço”. As jovens reclamam a desvalorização da atividade a partir dos baixos rendimentos obtidos com a venda de seus produtos, o que também se coloca como uma negativa à sucessão na profissão de seus pais. Adicionalmente, a vulnerabilidade da produção às condições climáticas faz do retorno financeiro algo instável. Os problemas advindos de enchentes ou estiagens, por mais que existam sistemas de seguridade, fazem diminuir as disposições de investimento na agricultura.

Quanto às vantagens do trabalho agrícola, foram levantados aspectos relativos à autonomia do trabalho (“não ter patrão”, “não ser mandado”, “fazer o próprio horário”); a vantagem de “já conhecer o trabalho ou negócio”, em referência à conveniência em dar seguimento a um trabalho que já vem sendo desenvolvido há gerações; ou mencionava-se apenas que na agricultura “não falta nada”, em referência à oferta de alimentos na produção para subsistência.

A seguir, falas que ilustram a forma como estes aspectos foram trazidos à discussão:

Aqui a vantagem é que tu tem o que quiser de comida, não falta nada. O problema é a instabilidade, o clima, tu nunca sabe se vai colher bem (...) vai todo mundo pra cidade porque aqui não tem condições, lá tem mais condições de vida. Como que vou querer ficar depois de ver meus pais sofrerem uma vida inteira aqui? Tudo que eles trabalharam e hoje eles não tem quase nada (...) o trabalho é muito ‘forçado’ e o retorno é muito pequeno. (D. S., sexo feminino, 16 anos)

É complicado o trabalho na roça, o pai e a mãe têm problemas de saúde. O pai tem diabete, não pode mais ajudar muito, e a mãe está com dores nas costas de trabalhar agachada. Ela toma remédios pra conseguir trabalhar porque tem a horta, os bichos (...) as condições aqui são ruins, eu vejo pela minha mãe e pelo meu pai: eu peço alguma coisa e eles nunca podem me dar, por isso dizem para eu estudar (...) Eu quero arrumar um emprego bom e dar um futuro melhor para os meus pais.
(G. C., sexo feminino, 15 anos).

[...] não tem chance de eu ficar na agricultura, por nada nessa vida. Não quero passar o trabalho que minha família passa, meu pai perdeu tudo várias vezes (...) a mãe acabava sustentando a casa com o dinheiro do queijo. A gente não vivia na miséria, mas sempre com o dinheiro contado. Ou é estiagem ou é enchente! (...) é muito trabalho pra pouco dinheiro, eles (pais) sofrem muito para trabalhar, trabalham como uns burros. Eu quero fazer a minha vida na cidade e ir ‘pra fora’ só pelo lazer, to enjoada de morar pra fora, comer poeira todos os dias, comer barro, passar sufoco. (J. L., sexo feminino, 17 anos).

Verifica-se que a recusa pelo trabalho agrícola parte de uma avaliação negativa do modo de vida dos pais, que são o exemplo profissional mais próximo. A partir do estudo do caso destas jovens, pode-se afirmar categoricamente que as novas gerações possuem uma avaliação muito negativa do trabalho agrícola, que esta avaliação é resultado da observação do modo de vida de seus pais, e que este se configura como o fator determinante para a elaboração de projetos profissionais direcionados para outras atividades.

7. Discussão

Os projetos profissionais revelaram-se como a negação de um estado atual, refletido em um modelo ideal de futuro. A aspiração ao pertencimento a este modelo tido como ideal, por sua vez, conduz as ações presentes, como as escolhas educacionais, pelo local de moradia e pelas relações sociais desenvolvidas. Trata-se de um processo de projeção pessoal para uma carreira futura por identificação com os membros de um grupo de referência. Dessa forma, com o estreitamento das relações entre o urbano e o rural, os jovens passam a comparar-se aos membros do urbano, forjando para si uma identidade constituída não mais a partir de seu grupo de pertencimento, mas por identificação com um grupo de referência. Este processo implica a aquisição antecipada de normas, valores e modelos de comportamento originários dessas referências (Dubar, 2005), o que torna complexa a tarefa de caracterizar o perfil das novas gerações de agricultores.

O projeto profissional nada mais é do que o reflexo da recusa do modo de vida atual e a aspiração ao pertencimento a um sistema de referência que, desde já, passa a compor a identidade juvenil e a produzir reflexos também nas relações sociais. Em sua elaboração, mais do que aspectos relacionados às necessidades objetivas e materiais, necessárias para a reprodução de um ofício, identifica-se um universo de elementos específicos da condição juvenil, em que a autonomia, emancipação e realização pessoal se fazem prioritários.

Se as pretensões educacionais destes jovens se concretizarem, em breve estarão gradualmente se desvinculando do trabalho agrícola, vínculo que será totalmente quebrado quando passarem a atuar na nova profissão, que, na maioria dos casos, não apresenta nenhuma relação com o trabalho desenvolvido nas unidades produtivas familiares. Esta é a primeira questão que se coloca no debate sobre a reprodução da agricultura familiar: a quebra no ciclo de reprodução força de trabalho.

Como coloca Althusser, toda sociedade, baseada num dado modo de produção deve reproduzir tanto suas próprias forças produtivas quanto as relações existentes de produção, o que significa reproduzir não apenas os bens materiais como ferramentas e máquinas, mas também força de trabalho (Althusser, 1971).

A reprodução da força de trabalho, segundo Althusser, é papel da escolarização formal, uma vez que a escola não apenas ensina habilidades básicas, mas também as regras de comportamento e atitudes apropriadas para as posições na produção para as quais as novas gerações são destinadas. Nos casos dos jovens agricultores familiares, contudo, a escola parece não cumprir este papel. Pelo contrário, ainda predomina o pensamento de que o conhecimento escolar em pouco contribui para o desenvolvimento da atividade agrícola, e as avaliações individuais obtidas sobre o sistema de ensino remetem a uma escola descontextualizada da realidade rural. Há um antagonismo entre a escolarização e a realização da atividade agrícola, como se o investimento em um representasse a negação do outro. Para os jovens agricultores estudados, não se estuda para trabalhar na agricultura, se estuda justamente para sair desta atividade.

A socialização de um jovem agricultor ocorre em diversos ambientes. Desde muito cedo, os jovens são socializados no trabalho agrícola, participando das atividades na unidade produtiva familiar. Trata-se, portanto, de uma primeira socialização no âmbito da família. Posteriormente, o jovem participa de processos de socialização na escola e na comunidade em que está inserido. Dessa forma, compreender os traços distintivos da condição juvenil e avaliar as perspectivas de reprodução geracional do modo de produção familiar passa necessariamente sobre a análise de como se dá sua constituição identitária em todas estas dimensões.

Identifica-se que na localidade onde esses jovens residem há limitadas alternativas de lazer e que o mais efetivo espaço de sociabilidade são os centros comunitários. Consequentemente, percebe-se certa inquietude destes em expandir a rede de relações, ao passo que valorizam as festas que atraem pessoas de outras localidades e as festas realizadas em outras localidades, onde é possível encontrar “pessoas diferentes”.

A análise das avaliações sobre os espaços de lazer e sociabilidade, contudo, remete a uma questão mais complexa: a do controle social. No âmbito da Sociologia, a expressão "controle social" circunscreve uma temática relativamente autônoma de pesquisa, voltada para o estudo do "conjunto dos recursos materiais e simbólicos de que uma sociedade dispõe para assegurar a conformidade do comportamento de seus membros a um conjunto de regras e princípios prescritos e sancionados" (Boudon; Bourricaud, 1993:101).

Percebe-se que jovens entrevistados são confrontados com uma estrutura moral rígida, marcada pela religiosidade e por uma organização social fundamentada na unidade familiar. A religião e a família podem ser pensadas como formas de controle social à medida que se ocupam em “fixar e instituir certas maneiras de agir e certos julgamentos que existem fora de nós e que não dependem de cada vontade particular tomada à parte” (Foracchi & Martins, 1980, p. 30). No caso dos jovens agricultores familiares de Faxinal do Soturno, a moral vigente em relação às questões afetivas e à sexualidade não é compartilhada plenamente por estes, o que se coloca como mais um dispositivo de rompimento com os laços de controle e proteção familiar.

Este pode se configurar como mais um estímulo à saída dos jovens do trabalho agrícola. Tanto o distanciamento da família para a realização de estudos quanto a inserção produtiva no mercado produtivo urbano conferem aos jovens, de certa forma, maior autonomia na administração de questões pessoais, afetivas e financeiras.

A maior parte dos entrevistados não quer ser agricultor; e não o quer por formularem avaliações bastante negativas a respeito do trabalho agrícola. Este dado pode divergir dos obtidos em outras regiões do país ou mesmo do Rio Grande do Sul, mas é o caracterizador maior do caso das jovens de Faxinal do Soturno.

Os argumentos giram em torno da insalubridade do trabalho (que podem levar a problemas de saúde), das baixas compensações financeiras (visto como demérito que afeta até as relações matrimoniais) e da instabilidade gerada pelas variações climáticas. São avaliações negativas referendadas em todas as entrevistas realizadas. Os discursos apresentam-se muito similares, muito “prontos”, beirando a um senso comum. As justificativas, entretanto, remetem a exemplos presentes dentro das próprias famílias e indicam uma reflexão prévia sobre o assunto.

Se analisarmos o caso dos agricultores de Faxinal do Soturno aos olhos da teoria da reprodução social de Pierre Bourdieu, poderíamos afirmar que em alguns aspectos a reprodução da agricultura familiar está sendo encaminhada. Em primeiro lugar, o investimento biológico, da reprodução a curto prazo, não se configure um problema. Embora tenham diminuído as taxas de fecundidade nas populações rurais, a falta de herdeiros para a transmissão da propriedade é uma exceção. Há recursos humanos para a manutenção do processo produtivo. Em segundo lugar, a transmissão dos saberes e práticas educativas do grupo, instaurada nas relações sociais cotidianas, também se faz presente. Os jovens são socializados desde muito cedo no trabalho agrícola e ao longo de suas vidas “aprendem” a ser agricultores e participam efetivamente das atividades na unidade produtiva familiar.

Entretanto, a sucessão do patrimônio material e a incorporação dos saberes e práticas agrícolas não garantem a permanência das novas gerações na agricultura familiar. O habitus de agricultor não é suficientemente incorporado a ponto de criar no indivíduo a disposição necessária para a reprodução do modo de produção familiar. Aqui se configura outro importante aspecto para a quebra do ciclo reprodutivo do modo de produção familiar: o enfraquecimento do processo de transmissão-incorporação do habitus de agricultor familiar.

Este fenômeno pode ser explicado, entre outros motivos, pela quebra da hegemonia da família no processo se socialização das novas gerações. A centralidade da família que garantia o domínio dos pais em torno da sucessão (Champagne, 1986) não é mais um imperativo. Diferentemente do contexto dos agricultores franceses analisado por Bourdieu, em que o universo rural era caracterizado pela escassa “concorrência” da família com outros agentes socializadores devido ao isolamento, ao ponto de impor seus estilos de vida, valores e sua definição profissional (Bourdieu, 2000, 1996), atualmente, os jovens agricultores entram em contato com uma diversidade de realidades e vivem um processo típico da modernidade, marcado pelo maior acesso a informações, expansão e diversificação dos meios de comunicação. Assim, os valores tradicionais e religiosos transmitidos através das gerações de colonizadores deixam gradualmente de serem incorporados ao imaginário juvenil, o que produz efeitos nas relações sociais que desenvolvem e na constituição de suas próprias identidades.

8. Conclusões

A análise dos discursos juvenis permitiu pôr em evidência a leitura que esses indivíduos tecem de sua realidade e as implicações desta leitura sobre as perspectivas de permanência na atividade agrícola. A contribuição científica do estudo reside no detalhamento dos dados obtidos, que captaram as contradições e ambiguidades presentes no processo de sucessão geracional de unidades produtivas familiares.

Ao elucidar questões sobre sociabilidade e inserção no trabalho naquele tempo-espaço específico, instrumentaliza-se o debate sobre o desenvolvimento da agricultura familiar em um contexto de condições adversas à permanência das novas gerações. O estudo do caso dos jovens agricultores de Faxinal do Soturno suscita uma nova discussão sobre o desenvolvimento rural e políticas públicas, ao considerar aspectos subjetivos da vida cotidiana que, conforme exposto, influenciam significativamente na qualidade de vida e bem-estar das populações rurais.

Nesse sentido, questões referentes à vida social como a religiosidade, as relações familiares, o papel da escola e as especificidades do trabalho agrícola, tornam mais complexo o quadro analítico da reprodução social da agricultura familiar, ampliando os fatores explicativos da dinâmica migratória juvenil e feminina.

 
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Fecha de recibido: 17 de septiembre de 2014
Fecha de aceptado: 23 de septiembre de 2015
Fecha de publicado: 4 de diciembre de 2015

 

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